Lembro-me que na escola, quando fazia o ensino primário, chamado hoje de ensino fundamental. Na época, nos meses de maio e de agosto, prestávamos homenagens ao dia da mãe e ao dia do pai. Desenhávamos bonecos representando-os, pintávamos casas representando a unidade familiar. Mas, de todas as homenagens, eu gostava da foto inserida numa moldura com dizeres: Feliz dia das mães ou Feliz dia dos pais. Lembram?
Refiro-me ao final da década de 70. Não tínhamos recursos tecnológicos como hoje. As máquinas fotográficas possuíam rolo de filme com possibilidade para 24 ou 36 fotos. Época boa. Podíamos brincar na rua, jogar bola, rodar pião, brincar de queimado... As famílias podiam ficar em suas portas à noite durante horas, conversando, tomando um cafezinho e deixando o tempo passar. Lembram?
E hoje sonhei com meu pai. Há mais de 10 anos ele nos deixou fisicamente, mas a lembrança é eterna. Lembro-me que ele escondia os presentes, na época de Natal, na nossa casa para que eu tivesse a surpresa de achá-los. Nunca fomos ricos, mas ele não deixava faltar nada. Crescemos - eu e minhas duas irmãs - conhecendo a honestidade, respeitando ao próximo, amando-nos. Voltando ao sonho, eu e minha esposa estávamos numa casa, muito parecida com a que ele morava. De repente, uma parede esmaecia até desaparecer e surgia um quintal de barro batido. Sentei-me no chão e comecei a observar a paisagem. Meu pai surge, daquele mesmo jeito da última lembrança que tenho de ele vivo. Ele pega uma pá e retira resto de tralha do chão para colocar em um buraco no terreno, preocupado em não cairmos neste buraco. Fico um tempo observando, admirando-o. Daí, me levanto e vou ao seu encontro. Fico frente a frente e ele não fala comigo, como se não tivesse me visto. Ele olha para a minha esposa, mas não olha para mim. Acordo com a sensação que poderia ter falado com ele. Queria muito que ele estivesse aqui, com seus 86 anos de idade que teria agora. Queria muito que ele tivesse conhecido meu filho. Acredito que ele o amaria, assim como eu o amo, porque o amor de pai e o amor de mãe são eternos e sinceros.
Por isso, vamos viver intensamente a vida. Brinque com seu filho ou sua filha, converse, beije seus avós, pais, esposa, marido, filhos. Cultive o bem, guarde lembranças felizes, perdoe. A angústia, a inveja, a falta de amor trazem doenças. Sejamos felizes, alegres, trazendo harmonia, paz, caridade e amor para nosso lar. A família é nosso alicerce! Desta forma, transmitimos para os que estão ao nosso lado.
Afinal,
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Porque se você parar para pensar, na verdade não há. (Renato Russo).